Copaíba: quando a floresta encontra a saúde, o rio se torna caminho de esperança
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Copaíba também carrega consigo uma mensagem clara: a Amazônia e seu povo não estão à margem do progresso — estão, cada vez mais, no centro dele.

Um imenso universo verde. Dados do IBGE estimam que cerca de 30 milhões de pessoas vivem hoje na Amazônia Brasileira. Quase 9 milhões delas — 29,9% — estão no Pará. Embora não se tenha números exatos, por causa da dificuldade do recenseamento, muitos paraenses vivem às margens dos rios, que por lá são as verdadeiras estradas: aquelas que tudo conectam e a todos os lugares levam esses ribeirinhos.
Mas uma realidade é recorrente para quem vive neste bioma: a dificuldade de acesso à saúde. Foi para transformar essa realidade que, em 2025 — ano em que todos os olhos do mundo se voltaram para o Brasil, mais especificamente para Belém, por causa da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30 — o SESI lançou uma iniciativa que já nasce como marco na história da saúde amazônica: o Copaíba.

Batizado com o nome de uma planta ancestral e curativa da região, o barco-hospital é fruto de uma parceria estratégica entre o SESI e a Universidade Federal do Pará, e representa um dos projetos mais visionários já colocados em prática para levar atendimento médico digno aos beiradeiros — como são conhecidos os moradores das beiradas dos rios amazônicos. Uma iniciativa que só se tornou realidade graças ao compromisso do Sistema FIEPA, sob a liderança de seu presidente, Alex Dias Carvalho, que tem feito da saúde e do desenvolvimento social pilares centrais de sua gestão à frente da indústria paraense.
Os números já comprovam o impacto: de maio a julho deste ano, o Copaíba realizou 534 atendimentos com médicos especialistas na modalidade teleconsulta — um alcance que seria impensável sem tecnologia, planejamento e, sobretudo, vontade de transformar vidas.
Nossa equipe de reportagem acompanhou de perto a chegada do Copaíba a Abaetetuba, cidade paraense a 120 quilômetros de Belém e formada por 72 ilhas fluviais, onde o acesso a médicos pediatras é, para muitas famílias, um privilégio raro. Foi o caso da pescadora Regiane Macedo Chaves, que viajou cerca de uma hora de barco em busca de atendimento para o filho de cinco anos. "Ele fez uma cirurgia para retirar a vesícula. Aí quando completou um mês, a barriga dele se estendeu muito, né? Começou a dar febre. E eu parei aqui para dar uma olhada. Faz quatro anos sem atendimento assim, de pediatra", contou Regiane, emocionada com a chegada da embarcação à sua comunidade.
Histórias como a de Regiane e seu filho são exatamente o que motiva o SESI a seguir investindo nesse modelo inovador de saúde fluvial, como explicou o diretor-presidente da instituição, Paulo Mol: "Esse barco é a conquista de uma nova etapa para trabalhar a saúde dentro do SESI. O Copaíba é uma homenagem à árvore que cura, tão importante para a região Norte. E ele traz acolhimento, traz essa cura utilizando ações que são mais tradicionais no acompanhamento, mas com tecnologia."
Essa combinação entre tradição e tecnologia também chegou até Marilak da Silva Sardinha, pescadora e moradora de uma comunidade ribeirinha da região de Abaetetuba. Ela fez uma consulta com um clínico geral, enquanto sua filha pequena, Maria Lunna, foi atendida por uma pediatra — algo raro em sua rotina. "Não tem pediatra na minha comunidade. Só clínico mesmo. E quando vem, vem com senhas limitadas. Quando a gente precisa de atendimento, a gente precisa correr para Abaetetuba. Não tem o que fazer", relatou.
Mais do que um projeto de saúde, o Copaíba se consolida como símbolo de um compromisso real com o povo paraense — fruto da união entre o SESI e o Sistema FIEPA, sob a visão de futuro de Alex Dias Carvalho, que entende que desenvolver a indústria do Pará também significa cuidar de quem sustenta a vida na floresta e nos rios.
Se a tecnologia embarcada neste gigante fluvial leva saúde aos ribeirinhos, ela também carrega consigo uma mensagem clara: a Amazônia e seu povo não estão à margem do progresso — estão, cada vez mais, no centro dele.














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