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Sustentabilidade da Pesca do Bonito-listrado no Brasil

Sustentabilidade da Pesca do Bonito-listrado no Brasil e a dieta mediterrânea

Estudo recente de um grupo de médicos italianos avaliou a relação entre câncer e a dieta mediterrânea. Foi o resultado de muitas pesquisas, demonstrando uma forte e inversa relação entre um alto índice de adesão à dieta Mediterrânea e doenças crônicas como as cardiovasculares, diabetes e câncer.

Trata-se de um estudo do tipo “Revisão” sobre o assunto “Câncer e Dieta Mediterrânea”. Nele, foram avaliados criticamente essas publicações científicas.


A pesca e a dieta saudável

Mas, qual é a conexão entre “a pesca” e “a dieta saudável Mediterrânea”?


Dupla pirâmide proposta pelo Barilla Center for Food and Nutrition – Fonte: Barilla Center for Food and Nutrition.


Os autores mencionam que o ômega-3 contido abundantemente em sardinhas, cavalinhas, comuns na dieta do Mediterrâneo (além de nozes, amêndoas e sementes de abóboras) ajudam a desacelerar o desenvolvimento e proliferação de células. Assim como podem impactar na sua sobrevivência, angiogêneses, inflamações e metástases.



Livro Sustentabilidade da Pesca do Bonito-listrado no Brasil

Recentemente lançamos o livro “Sustentabilidade da Pesca do Bonito-listrado no Brasil”. Foi o resultado do projeto de pesquisa desenvolvido a partir do Edital de Pesquisa Marinha.

O edital foi criado a partir de uma medida compensatória estabelecida no Termo de Ajustamento de Conduta – TAC de responsabilidade da empresa Chevron, conduzido pelo Ministério Público Federal – MPF/RJ. Foi implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO, a partir de um derrame de óleo no Campo de Frade.


Três anos de pesquisas

O livro é o produto de três anos de pesquisas, além de nosso trabalho desde 2013 com a frota de pesca da empresa Leal Santos Ltda. Esta frota  captura bonito-listrado com vara e isca viva desde 1982, uma espécie de alto valor nutricional.

Nele, apresentamos dados sobre diversos aspectos da pesca industrial do bonito-listrado no Brasil. E lembramos que o País que consome 170 milhões de latas de atum por ano, diga-se de passagem, latas que não contêm conservantes.


O manejo sustentável

Apresentamos informações relevantes para incrementar o manejo sustentável. A nossa pesquisa avaliou a pesca do atum bonito-listrado no Brasil do ponto de vista do potencial de produção com sustentabilidade. Mas fomos além, com a perspectiva de associar o sustentável ao saudável, os colegas avaliaram o pescado comparativamente ao suíno e o frango, em relação à quantidade de aminoácidos essenciais, com referência ao leite materno.

Concluíram que, neste quesito, o suíno tem o maior valor. Foram adiante e avaliaram o teor de energia proteica comestível de um animal, em relação à energia industrial total gasta em sua produção/aquisição, de modo a ressaltar as diferenças nos impactos ambientais dessas atividades produtivas e o atum colocou-se à frente dos demais.


Perspectiva socioeconômica

Na sequência, numa perspectiva socioeconômica, consideraram os salários médios de cada setor, e a pesca industrial do atum bonito-listrado ficou novamente na frente.

Com estes dados, os autores geraram o que chamaram de INASE (Indicador Nutricional, Ambiental, Social e Econômico) resultando no maior valor de 55,8% ao atum e 43,4 e 39,8 para suíno e frango, respectivamente.


Bonito-listrado é classificado como altamente migratório

O bonito-listrado é classificado como altamente migratório. O peixe desloca-se em cardumes desde a costa do Espírito Santo até o Uruguai em uma cadência associada ao movimento das correntes marinhas.


Os japoneses usam a expressão Hatsu Gatsuwo, para o tempo do “primeiro e mais fresco bonito-listrado do ano” capturado na costa do Japão, um ano após a eclosão do ovo. O aparecimento destes peixes juvenis é comumente relacionado à mudança da estação, ao final da primavera e a chegada do verão.


Tradicionalmente associam este pescado ao alto valor nutricional e à longevidade. Seria muito interessante e importante que no Brasil pudéssemos associar as mudanças da estação também ao comportamento deste peixe, mas esta espécie ainda é pouco conhecida entre nós. Por isso, considero fundamental torná-lo conhecido.


Capturas de bonito-listrado pela frota de barcos do Brasil

No livro, nós descrevemos as flutuações nas capturas de bonito-listrado pela frota de barcos do Brasil, ao longo de uma série histórica de cerca de 3 décadas. É uma análise complexa, mas chamamos atenção para a correlação identificada entre baixas capturas de bonito-listrado e alterações climáticas.


O El Niño de 2015/16, o mais forte já registrado, coincidiu com um período de baixíssimas capturas deste atum, assim como de sardinha, uma de suas presas.

Nossas informações indicam que o habitat do bonito e também da sardinha esteve anomalamente quente, acima da média dos últimos 30 anos, nos períodos associados ao El Niño 2015/2016, assim como ao de 1997/1998.


A anomalia positiva é quando as águas quentes da Corrente do Brasil predominaram, em relação às águas frias do sul, de origem subantártica, na região do habitat do bonito-listrado.

Também é necessário que as ressurgências tenham enfraquecido. Ressurgência é quando as águas mais profundas e frias afloram na superfície, como acontece em Cabo Frio, no entorno do Cabo de Santa Marta e em menor escala ao longo do talude continental.


Corrente do Brasil

As águas quentes da Corrente do Brasil têm baixos níveis de sais nutrientes relativamente às águas frias e resultam em baixa produção de organismos fotossintetizantes que sustentam a base da teia trófica marinha, como um efeito cascata.


O bonito-listrado é, de fato, um fenômeno de eficiência de conversão de energia entre o plâncton, pequenos peixes e o predador, ele próprio. São 3 milhões de toneladas pescadas no mundo, terceiro colocado nas capturas globais, alimentando saudavelmente milhões de pessoas neste planeta.


23.000 toneladas anuais

No Brasil capturam-se cerca de 23.000 toneladas anuais, com o método de vara-e-isca viva, modalidade de pesca considerada sustentável por órgãos certificadores internacionais, os peixes sendo capturados um a um.


De acordo com a Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT) o Brasil pode capturar, de forma sustentável, cerca de 32.000 toneladas de bonito/ano. Os estudos publicados em nosso livro indicam que o estoque está saudável e que, mantido este modo de pesca, poderemos pescar bonito-listrado por muitos anos.

Precisamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os demais aspectos relacionados ao bonito-listrado, incluindo suas migrações, o potencial máximo de captura, a solução dos gargalos para que a pesca se aproxime deste máximo sustentável no Brasil, assim como os benefícios da ingestão regular deste pescado para a nossa saúde.


Fonte: Mar sem fim

AC2 Produção, Comunicação & Marketing