Japão - Pirataria, Pesca ilegal, Soberania e Segurança Alimentar: Ciência, Cooperação Internacional e Gestão Responsável dos Oceanos
- Setor Pesqueiro e Náutico

- 3 de jan.
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O governo do Japão anunciou a implementação de um programa de cooperação internacional voltado ao combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, destinando recursos, tecnologia e apoio operacional para fortalecer a vigilância marítima de países da América do Sul.
A iniciativa prevê o fornecimento de drones, equipamentos de análise de imagens, embarcações de patrulha e sistemas de monitoramento para Argentina, Uruguai, Peru e Equador, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
O objetivo é ampliar a capacidade desses países de identificar e coibir a atuação de grandes frotas estrangeiras que operam de forma irregular próximas às suas Zonas Econômicas Exclusivas, muitas vezes com sistemas de rastreamento desligados e sob suspeita de pesca ilegal e até de mapeamento indevido do fundo do mar.

Dados da Global Fishing Watch mostraram Lu Qing Yuan Yu 205 em pesca ilegal a 5 quilômetros da costa do Mar Argentino.
Um exemplo disto é o navio, Lu Qing Yuan Yu 205, um grande arrastão capaz de capturar lulas, tubarões, merluza e que pertence a uma frota de 12 embarcações de uma mesma empresa de bandeira Chinesa a Qing Dao Ocean Fisheriese e pesca tranquilamente na borda da ZEE, e muitas vezes visto "navegando" em águas Brasileiras e Argentinas.
A decisão japonesa reflete a própria experiência do país no enfrentamento desse problema em suas águas e demonstra o reconhecimento de que a proteção dos oceanos exige cooperação internacional, com respeito à soberania nacional, aos territórios, aos costumes das comunidades tradicionais e à sustentabilidade, com tecnologia, presença efetiva do Estado no mar e governança baseada em dados científicos e econômicos.
Trata-se de uma resposta concreta a um desafio global que ameaça países costeiros, a conservação dos recursos marinhos e a segurança alimentar. Ao apoiar Argentina, Uruguai, Peru e Equador, Tóquio envia um sinal claro de que o combate à pirataria e a pesca ilegal precisa ser tratado como prioridade internacional. Nesse contexto, é fundamental que o Brasil também se inclua nesse esforço conjunto, fortalecendo sua vigilância marítima e a governança sobre seus vastos territórios oceânicos.
Segurança alimentar - Incoerência perigosa, proibições descabidas e desperdício.
A pesca ilegal, a pirataria e o desperdício em outras cadeias globais de proteína, revela uma incoerência perigosa. A segurança alimentar mundial exige coerência: proteína é proteína.
A defesa da pesca controlada e legal, baseada em uma gestão séria, científica e transparente, é hoje um dos pilares para garantir alimento saudável, geração de renda e conservação dos oceanos. Espécies com valor comercial não são inimigas do meio ambiente — ao contrário, quando bem manejadas, tornam-se aliadas da sustentabilidade e da segurança alimentar global.
Para que esse modelo funcione, é indispensável a existência de dados atualizados, públicos e confiáveis sobre os estoques pesqueiros. Não há gestão responsável sem informação técnica consistente; decisões tomadas com base em dados defasados, incompletos ou inexistentes colocam em risco tanto a conservação das espécies quanto a sobrevivência de um setor produtivo legalmente constituído.
A gestão da pesca não pode ser refém de governos de plantão, que muitas vezes, são reféns de ONGs, a gestão precisa ser política de Estado não de governo, com regras estáveis, previsíveis e construídas a partir da ciência, garantindo segurança jurídica e planejamento de longo prazo. O setor pesqueiro formal não pode ficar à mercê de acordos pontuais, disputas mercadológicas ou interesses alheios à realidade produtiva, tampouco ser usado como moeda de troca política. Conservação verdadeira se faz com gestão eficiente, não com discursos vazios.
Alimentar o Mundo Exige Ciência, Não Emoção
É preciso afirmar com clareza: não importa a espécie do pescado, se é considerado “bonito” ou “feio” por quem observa de fora. Se é proteína, pode e deve cumprir seu papel de alimentar o mundo, desde que sua captura seja realizada de forma responsável, legal e sustentável. A escolha do que se pesca não pode ser guiada por critérios estéticos, emocionais ou ideológicos, mas sim, por dados científicos, sustentabilidade e necessidade alimentar.
Dentro desse contexto, a pesca precisa ser analisada com racionalidade, sem romantização, demonização ou julgamento seletivo.
O Japão sustenta sua atividade pesqueira, com mão firme, base em tradição cultural, demanda alimentar e avaliações científicas, tratam seus estoques de maneira séria, como recurso alimentar e não como símbolos ou troféus pra serem exibidos em fóruns ambientais internacionais.
Concorde-se ou não com esse modelo, o debate sério não pode ser conduzido por campanhas emocionais ou por critérios estéticos que transformam a captura de uma espécie em “intocável” apenas por gerar empatia visual.
O ponto central não é a espécie, o que deve ser inegociável é a sustentabilidade, a legalidade e a responsabilidade na exploração dos recursos naturais.
Respeitar a sustentabilidade significa áreas de pesca definidas, cotas, períodos adequados, limites de captura e os costumes alimentares de cada região, reconhecendo que a pesca também é cultura, tradição e modo de vida.
Defender a pesca legal, sem Antropomorfismo emocional é defender a ciência, a soberania alimentar e a justiça social, garantindo que os oceanos continuem produzindo alimento de forma ordenada, legal e sustentável para o Brasil e para o mundo.


















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