Pesqueiro Funelli - Vestígios no mar e sinais de incêndio levantam novas perguntas sobre o desaparecimento da embarcação.
- Setor Pesqueiro e Náutico

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A mobilização em torno do desaparecimento do pesqueiro Funelli, ocorrido na região oceânica próxima a Ponta Negra, em Maricá, avançou nos últimos dias com a continuidade das buscas articulada pela Prefeitura de Niterói, após o encerramento da fase ativa de busca e salvamento conduzida pela Marinha do Brasil. A decisão de manter os esforços permitiu a estruturação de uma força-tarefa complementar que já resultou na localização de vestígios atribuídos à embarcação e trouxe novos elementos para a investigação sobre o destino do barco e dos seis pescadores a bordo.

Desde o início, uma das primeiras hipóteses levantadas foi a de uma possível colisão entre um rebocador e a embarcação pesqueira. Imagens de monitoramento indicam que, no dia 15 de janeiro, por volta das 22h30, o sinal de GPS do rebocador BJ Blue Marlin se aproximou do Funelli, na altura da Praia de Ponta Negra. Poucos minutos depois, o sinal da embarcação pesqueira desapareceu do sistema.
O rebocador manteve o GPS ativo até aproximadamente 22h55, quando sua própria localização também deixou de ser exibida no site de monitoramento, informação que passou a integrar o conjunto de dados analisados pelas autoridades.
A operação foi organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SEDEN) e pela Subsecretaria de Pesca, a partir de solicitações dos pescadores, diante da ausência de indícios conclusivos nas primeiras fases da apuração. O Ministério da Pesca e Aquicultura informou que acompanha o caso e disponibilizou dados técnicos, incluindo informações de rastreamento, que auxiliaram no planejamento da ação complementar no mar.
A iniciativa ocorreu no momento em que a Marinha do Brasil, após empregar meios navais e apoio aéreo em uma operação intensiva, passou a adotar o protocolo de busca passiva, baseado no recebimento de informações de embarcações que transitam pela área já monitorada. Para evitar a interrupção prática das ações, foi articulada uma operação técnica com pescadores experientes, voltada exclusivamente à localização de possíveis destroços, sem qualquer finalidade comercial.

Como o uso de equipamentos associados à pesca de arrasto está sujeito a restrições ambientais e regulatórias, a Prefeitura acionou o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Superintendência Regional do Ibama no Rio de Janeiro, que encaminharam a demanda às instâncias federais competentes e viabilizaram as autorizações necessárias em caráter emergencial. O modelo adotado garantiu respaldo legal à operação, rastreabilidade dos procedimentos e o compromisso de não comercialização de qualquer pescado eventualmente capturado de forma incidental.
Em menos de 72 horas de trabalho no mar, os primeiros resultados foram registrados. No dia 5 de fevereiro, foram localizados vestígios como redes de pesca e portas atribuídas ao Funelli. e dia 06, hoje, parte da casaria da embarcação foi encontrada com sinais aparentes de incêndio, um elemento que ampliou o conjunto de hipóteses investigativas e elevou o nível de atenção das autoridades responsáveis pela apuração.
O avanço das buscas foi resultado da atuação conjunta entre os diferentes envolvidos. Os pescadores contribuíram com conhecimento técnico do mar e execução das manobras, enquanto a Prefeitura de Niterói coordenou a logística e a articulação institucional. A Marinha do Brasil manteve o apoio técnico e o alinhamento com os protocolos de segurança da navegação, o Ministério da Pesca e Aquicultura forneceu suporte e dados estratégicos, e o Ibama atuou na análise e liberação das autorizações necessárias.
A continuidade das buscas, a rápida localização de vestígios e a incorporação de novas informações, como os registros de GPS, reforçam a importância da cooperação entre poder público e comunidade pesqueira em situações de emergência, mantendo o esforço ativo na busca por esclarecimentos sobre o caso.



































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