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307 toneladas apreendidas - Quando o dano já aconteceu a apreensão vira manchete: O meio ambiente está mesmo protegido?

  • 2 de mar.
  • 3 min de leitura
Ibama transforma desastre ambiental em troféu institucional Foto: Divulgação/Ibama
Ibama transforma desastre ambiental em troféu institucional Foto: Divulgação/Ibama

A apreensão de 307 toneladas de pescado em Rio Grande (RS), realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com aplicação de multa milionária, expõe um problema que precisa ser tratado com seriedade: o modelo de fiscalização está, de fato, protegendo o meio ambiente ou apenas reagindo depois que o dano já ocorreu? Um volume dessa magnitude não é capturado de forma pontual. Trata-se de produção acumulada ao longo de semanas ou meses.


Quando 307 toneladas aparecem em um único auto de infração, a pergunta inevitável é: onde estava o controle preventivo? Multa aplicada não devolve estoque ao mar.


É importante esclarecer que a narrativa envolvendo embarcações em período de defeso não procede da forma como vem sendo difundida. O plano de gestão da atividade foi aprovado. O que está em debate é a tentativa de avanço para um plano de recuperação. E, nesse ponto, chama atenção o fato de que quem vem pressionando para que esse plano de recuperação avance junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) é o próprio Ibama. A pergunta que surge é: por quê?


Um plano de recuperação é um instrumento técnico legítimo quando há necessidade comprovada de restrição adicional, ampliação de pesquisas e revisão de regras. Mas, para que esteja ancorado em dados consolidados, transparência metodológica e debate amplo com o setor produtivo, é necessário cumprir o rito adequado por meio do próprio plano de gestão. É esse o instrumento que organiza informações técnicas, consolida pesquisas e fundamenta decisões regulatórias. Atalhos ou sobreposições podem gerar insegurança jurídica e instabilidade, sem necessariamente atacar a raiz do problema.


Há, no setor, a percepção de que o foco das fiscalizações, tem se concentrado de forma intensa na cadeia de custódia — notas fiscais, rastreabilidade documental e vínculos comerciais — enquanto o combate direto à captura ilegal, especialmente nas áreas sensíveis como a Lagoa dos Patos, não recebe a mesma presença ostensiva e contínua. Se a irregularidade começa na água, é ali que a fiscalização precisa estar de forma permanente.


A pergunta permanece objetiva: 307 toneladas apreendidas, multa milionária aplicada. O meio ambiente foi efetivamente protegido? Se daqui a alguns meses outra empresa for autuada com mais 300 toneladas, com nova multa expressiva, o resultado ambiental será diferente? Situações como essa não refletem eficiência de um órgão fiscalizador. Pelo contrário, podem indicar falhas de organização, ausência de controle preventivo e a necessidade de demonstrar atuação apenas após o dano já consolidado. Fiscalização eficaz é aquela que evita o crime ambiental, não a que apenas contabiliza grandes apreensões.


O próprio Ibama divulgou em seu site oficial a operação, como faz reiteradamente após grandes apreensões, destacando o volume recorde de 307 toneladas. A divulgação institucional é legítima e faz parte da transparência pública. No entanto, a forma como essas ações são enaltecidas levanta um questionamento inevitável: isso representa normalidade administrativa ou expõe a fragilidade de uma fiscalização verdadeiramente preventiva e efetiva, capaz de coibir o dano antes que ele atinja essa dimensão? Quando o destaque recai sobre o volume apreendido, e não sobre a interrupção precoce da ilegalidade, a dúvida se impõe.


Paralelamente, estima-se para este ano um recorde de produção na ordem de 50 mil toneladas. Esse número exige análise técnica cuidadosa. Crescimento produtivo pode refletir eficiência, mas também pode indicar fragilidades no controle em áreas estratégicas, caso a fiscalização dentro da Lagoa dos Patos não esteja ocorrendo com a regularidade necessária.


Notícias como essa atingem toda a cadeia produtiva e colocam sob suspeita quem atua dentro da legalidade. O setor precisa de previsibilidade, regras claras e fiscalização efetiva na origem — não apenas de ações punitivas posteriores.


Proteger o meio ambiente não é apenas aplicar multas elevadas depois que centenas de toneladas já foram retiradas. Proteger o meio ambiente é impedir que a captura ilegal aconteça. Sem coordenação institucional clara, base técnica sólida e presença contínua na área de pesca, o sistema continuará reagindo ao problema em vez de preveni-lo.ptura ilegal aconteça. Sem coordenação institucional clara, base técnica sólida e presença contínua na área de pesca, o sistema continuará reagindo ao problema em vez de preveni-lo


 
 
 

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