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“PESCADOS” À BASE DE PLANTAS – “Planta é planta, peixe é peixe”, defende a ABIPESCA

Sob o título acima, a Associação Brasileira da Indústria da Pesca (ABIPESCA), está desenvolvendo uma campanha de esclarecimento sobre a enorme diferença entre proteína de pescados e produtos à base de plantas imitando o sabor de pescados


- Os produtos ultraprocessados são aqueles feitos com vários ingredientes - geralmente sal, açúcar, óleos e gorduras - e com a adição de substâncias sintetizadas e de uso exclusivamente industrial, além de aditivos utilizados para preservar ou conservar, e para modificar cor, cheiro, sabor, e a textura do produto final – informa a entidade.


Ainda conforme a associação o que se deseja é que “o consumidor, aquele que por último decide e razão de todos os nossos esforços, seja corretamente informado. Entendemos que uma comunicação honesta seja o alicerce para que o consumo consciente possa ocorrer.”


Nossa redação foi atrás da informação e constatou que defensores da alimentação saudável criticam esse tipo de produto que imita o natural. A chef Paola Carosella, que participou como jurada do MasterChef, postou no Twitter: “Não é hambúrguer, não tem gosto de carne, nem textura de carne, o que é óbvio, pois não é carne. Gorduroso, pastoso, desagradável. Uma b… ultraprocessada.”

Chamamos de produto porque nem alimento é. Trata-se de uma comida artificial, de mentira, são ultraprocessados e têm efeitos negativos para a saúde.


Rita Lobo, outra estrela da culinária brasileira, usou a mesma rede social para apoiar a colega: “O legal dessa onda de produtos plant-based é que, por serem novos, fazem com que consumidores atentos enxerguem a mecânica da indústria de ultraprocessados. Caldos, biscoitos, refris estão aí há tanto tempo que muitos não conseguem mais diferenciá-los de comida de verdade”. O termo “ultraprocessado” a que Rita e Paola se referem foi sacramentado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a publicação, que contém diretrizes para uma alimentação saudável, produtos à base de ingredientes de uso industrial, cuja produção depende de tecnologias exclusivamente industriais, devem ser evitados.


O marketing da indústria alimentícia induz o público facilmente ao erro. Por isso, sempre leia as informações da embalagem. A presença de ingredientes desconhecidos é um forte indício de que se trata de ultraprocessado.


O The Good Food Institute realizou um estudo com o departamento de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, para entender a reação do consumidor brasileiro. “Carne vegetal”, "Peixe vegetal" e “carne ou peixe feitos de plantas” são os termos mais comuns atualmente, enquanto “vegano” ainda possui uma recepção negativa.


Em dezembro de 2020, o Ministério da Agricultura discutiu, em um debate público, a regulamentação do setor. Apesar das divergências sobre a nomenclatura continuarem a existir.

Já nos Estados Unidos, em geral, a regulamentação é feita pelo FDA (Food and Drug Administration, Departamento de Saúde dos Estados Unidos). Há, no entanto, divergências nas diretrizes de cada estado.

No Missouri, por exemplo, há uma lei que exige que apenas alimentos derivados de animais possam receber nomes como “carne”, “linguiça”, “hambúrguer”, entre outros.


A ABIPESCA defende e diz desejar que o correto prevaleça. O consumidor deve ser informado, sem falsos nomes e atributos, sobre aquilo que adquire e consome.

- Neste sentido, peixe é peixe, planta é planta. Texturas, cores, sabores e odores obtidos artificialmente pelo uso de aditivos químicos e em processos tecnológicos ainda não regulamentados, não podem ser comunicados como se natural fossem.