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Um navio de combustível afunda na Tunísia, ameaçando uma catástrofe ambiental



Um navio-tanque que transportava 750 toneladas de diesel do Egito para Malta, na Europa, afundou neste sábado (16) quando passava pelo Golfo de Gabes, na costa sudeste da Tunísia, Norte da África.


A embarcação Xelo opera com bandeira da Guiné Equatorial. Ela saiu do porto de Damietta e solicitou a entrada na Tunísia na noite de sexta-feira (15) por conta do mau tempo na região. Os sete membros da tripulação foram resgatados.


Após uma reunião nesta manhã, o governo anunciou medidas para tentar "evitar um desastre ambiental". Barreiras vão cercar o local onde o navio afundou para evitar a propagação do combustível. Além disso, dois submarinos vão inspecionar a posição do navio e a localização de um vazamento para iniciar um processo de sucção do óleo.


Mergulhadores que inspecionaram neste domingo (17) o casco de um navio petroleiro afundado e garantiram que ainda não há vazamentos, indicaram as autoridades tunisianas.

Os profissionais que analisaram as imediações do navio asseguram que "afundou a uma profundidade de quase 20 metros, na posição horizontal e não apresenta fissuras", segundo o Ministério do Ambiente tunisiano.

"Nenhum vazamento foi registrado no carregamento de diesel", acrescentou o ministério em comunicado.

A equipe de mergulhadores foi acompanhada "pelo capitão e mecânico do navio, que conhecem sua configuração", disse Mohamed Karray, porta-voz do tribunal de Gabes, que abriu uma investigação sobre as causas do naufrágio.


Operação delicada


De acordo com o ministro dos Transportes, Rabie el Majidi, durante o resgate, os socorristas "certificaram-se de fechar os porões para evitar vazamentos de diesel e os mergulhadores verificaram que estão intactos".

"A situação não é perigosa, o diagnóstico é positivo, o navio está estável porque felizmente afundou na areia", disse o ministro em entrevista coletiva no domingo no porto de Gabes, juntamente com o ministro do Meio Ambiente.

A prioridade das autoridades agora é bombear o diesel para evitar a contaminação do local. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Leila Chikhaoui, "é perigoso, mas possível".

É "muito delicado para os mergulhadores localizar as saídas [dos porões] para fazer o bombeamento", acrescentou Majidi, minimizando a amplitude dos riscos ao dizer que "750 toneladas de diesel não são nada" e "o diesel evapora facilmente no sol".



Mais cedo, o ministério do Meio Ambiente da Tunísia informou que água começou a entrar no navio a cerca de sete quilômetros da costa no Golfo de Gabes e a sala de máquinas ficou inundada. O porta-voz do governo local, Mohamed Karray, informou que um comitê de prevenção de desastres iria se reunir para decidir quais as medidas seriam tomadas.


Documento desaparecido


Os oficiais tunisianos também estão interessados na trajetória do navio (registro IMO 7618272), construído em 1977 e que possui a bandeira da Guiné Equatorial, e seus proprietários, um líbio e um turco, segundo a promotoria de Gabes.


"A tripulação deixou o 'conhecimento de embarque' no navio, um documento importante" [sobre a trajetória e a carga do navio], disse a ministra Leila Chikhaoui.

O Ministério dos Transportes indicou que queria "verificar a natureza comercial exata do navio e sua jornada nas últimas semanas".


Segundo o ministério, o navio esteve estacionado de 4 a 8 de abril no porto tunisiano de Sfax, uma grande cidade industrial localizada a norte de Gabes, "para mudar de tripulação, reabastecer e fazer pequenas reparações, sem carga nem descarga".

Alguns veículos de comunicação locais lembraram a proximidade do Golfo de Gabes com a Líbia, importante país produtor de petróleo, cujas costas têm sido palco de tráfico de hidrocarbonetos nos últimos anos.


Enquanto isso, a organização de proteção à natureza WWF alertou contra "uma nova catástrofe ambiental na região".

A zona de Gabes, que "tem cerca de 34.000 pescadores que sofrem de poluição química há décadas", sofreu episódios de contaminação nos últimos anos devido às indústrias de transformação de fosfato que estão instaladas ali e pela presença de um oleoduto que transporta petróleo do sul da Tunísia.


A mídia local disse que a Itália se ofereceu para ajudar e que deveria enviar uma embarcação naval especializada em lidar com desastres marinhos.


A costa de Gabes sofre com poluição significativa há anos, com organizações ambientais dizendo que as instalações industriais na área despejam resíduos diretamente no mar.


Fonte Agência Reuters