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O futuro da economia do Mar no Rio Grande do Norte, pós-pandemia da Covid-19

Trata-se de mais um de tantos outros setores que precisarão do apoio não só do governo estadual, mas como de toda a sociedade, pela importância sócio-econômica que representa para milhares de potiguares que integram a cadeia.

Gabriel Calzavara - Presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN)


Para o coordenador do Mais RN, (projeto para o desenvolvimento do Estado), José Bezerra Marinho, a economia do mar pode gerar: viveiros em mar aberto, incremento ao turismo ligado a todos os ecossistemas marinhos, além de incremento à logística de manutenção e reequipamento dos barcos oceânicos e pesqueiros daqui até o continente africano. “Por isso, a economia do mar é uma guinada grande com todas as suas possibilidades integradas a partir do nosso litoral”, resume Marinho. “E contamos com o valioso trabalho de Gabriel Calzavada, que é uma autoridade nacional sobre o assunto, como também um líder empresarial, com uma historia importante no setor”.


Entrevista com Gabriel Calzavara, Presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN)


Qual o tamanho dos danos da pandemia para a pesca oceânica?

GABRIEL – O nosso setor, assim como os demais, aqui e no mundo, passa para uma situação de muita dificuldade. Trabalhamos com alimentos direcionados para o mercado de peixe fresco também consumido cru e isto exige uma logística de distribuição muito rápida pela condição de alta perecibilidade do produto. Some-se a isto o fato de 70% do nosso produto – e, portanto, do nosso faturamento – se destinar ao mercado internacional, o que exige muita agilidade e rapidez. Então, essa crise sanitária impactou diretamente na demanda e nos acessos aos mercados pelo principal modal utilizado pelo setor, que é o aéreo.


O senhor está se referindo aqui ao apagão aéreo de 2020 com a pandemia?

GABRIEL – Com a pandemia, os restaurantes fecharam e os acessos aos principais mercados – os EUA, por exemplo, Miami, Nova Iorque, Boston, Califórnia – tiveram severas restrições de voos especialmente do Brasil. Só para se ter uma ideia, dos 24 voos semanais da Latam para Miami, hoje só existem cinco ou seis. Dos sete voos semanais para Nova Iorque antes da pandemia, hoje restaram três. Além disso, as conexões desses voos representam um risco muito elevado em função de atrasos que acontecem frequentemente.


O senhor poderia nos dar uma ideia dos reflexos dos custos do setor com a pandemia?

GABRIEL – Por exemplo, o aumento vertiginoso do preço do frete. Em julho de 2020, se pagava US$ 1,10 pelo quilo do frete e agora em fevereiro de 2021 esse valor mais que dobrou, passando para US$ 2,25. Esses aumentos também se deram na questão do óleo diesel, um dos insumos mais importantes – justamente com a isca, que também é importada – para o produtor. Em março de 2020, nós pagávamos R$ 2,93 pelo litro do diesel e agora R$ 4,09. E essa é uma situação que realmente impacta muito a nossa atividade pela queda de demanda e aumento exorbitante dos custos operacionais de distribuição, mesmo com o preço do dólar mais favorável ao produtor. Diga-se, um ganho relativo, já que todo o nosso material de pesca – repetindo – é importado, impactando diretamente o câmbio.


O que o setor tem feito para mitigar essa crise histórica?

GABRIEL – O que nós temos feito é buscar solução a partir da união do setor e na articulação com alguns atores, como a Federação da Indústria, que tem sido fundamental para que a gente possa buscar soluções e alternativas. Esse novo modelo da Sala de Situação que foi implementado dentro do Mais RN por meio da Fiern nos tem possibilitado negociar com importantes agentes financeiros de desenvolvimento, como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, linhas de Crédito mais acessíveis e adequadas para que possamos recompor parte do nosso capital de giro e ter um pouco de fôlego para avançar.


Qual é a situação atual da frota pesqueira potiguar?

GABRIEL – Neste momento, metade da frota pesqueira do Estado está parada, refletindo a situação global da pandemia. No início da crise sanitária, nós tínhamos em torno de 40 a 50 embarcações pescando atum e hoje esse número não passa de 18 a 20, porque as empresas foram obrigadas a demitir e reduzir suas tripulações. Uma mão de obra qualificada que exige muito treinamento e, portanto, investimento das empresas.


Qual é a sua maior preocupação neste momento como empresário?

GABRIEL – São várias, mas o que mais me preocupa neste momento é a falta de vacinas e e essa guerra inconsequente entre Governo Federal e os estados. É muito irracional o que acontece. Mas temos que seguir em frente.


Entrevista para o Jornal Agora RN