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Capobianco, Jericoacoara, Albardão, ICMbio, Construcap, Goiasa Goiatuba, Urbia e energia eólica. São só coincidências! "Hoo povo falador!"

  • 16 de mar.
  • 8 min de leitura

Algumas coincidências curiosas chamam atenção quando se observa a criação, concessão e exploração econômica do Parque Nacional de Jericoacoara, como em outros parques nacionais e o recém criado (as pressas, ainda no meio do debate, via decreto), o Parque do Albardão, coincidências dessas que, no mínimo, convidam à reflexão.


Em tempo: Este canal em momento nenhum se posiciona contra a preservação ambiental, seja no mar ou em terra. Muito pelo contrário: entendemos que preservar é fundamental. O que defendemos é algo simples — debates técnicos e respeitosos, com a participação real da sociedade diretamente envolvida nas decisões e principalmente com transparência.

Começamos assim


O atual secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, teve participação societária de 4,7% na construtora Construcap - Nada demais, claro — afinal, investidores existem em todos os setores.

O detalhe curioso, é que a Construcap integra o consórcio vencedor da concessão milionária que arrematou a exploração turística e gestão de serviços de apoio à visitação do Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará.


Deixando claro aqui que em 2025 a Comissão de Ética Pública da Presidência autorizou Capobianco a participação societária. de 4,7% na Construcap, seguindo algumas restrições.

Ele não deverá divulgar ou utilizar informações confidenciais obtidas no exercício de suas funções no ministério em benefício da Construcap. Pronto resolvido, vida que segue...


...e não participar de decisões do governo que envolvam a construtora.

Agora ficou difícil!


Bem, aqui nos concentraremos no Parque Nacional de Jericoacoara, último parque ganho em concessão, o leilão ocorreu em janeiro de 2024, outorga de R$ 61 milhões para administrar a unidade de conservação pelos próximos 30 anos, através da concessionária Urbia, criada em 2019, que administra importantes parques nacionais e urbanos no Brasil.

A Urbia Parques é uma concessionária do grupo Construcap, se diz especializada na gestão, revitalização e conservação de parques públicos e áreas de preservação ambiental no Brasil.


Principais Parques Administrados:


São Paulo (Capital e Estado)

A Urbia venceu concessões municipais e estaduais, gerindo os seguintes espaços:


  • Parque Ibirapuera: O mais icônico da capital paulista, parte de um lote que inclui outros cinco parques:

    • Parque Jacintho Alberto

    • Parque Eucaliptos

    • Parque Tenente Brigadeiro Faria Lima

    • Parque Lajeado

    • Parque Jardim Felicidade


  • Parque Estadual da Cantareira: Concessão estadual focada em ecoturismo.


  • Horto Florestal (Parque Alberto Löfgren): Administrado em conjunto com a Cantareira.


Sul do Brasil (Parques Nacionais)


Sob o nome Urbia Cânions Verdes, a empresa gere as áreas de visitação de dois grandes parques nacionais na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul:


Goiás e Paraná


  • Complexo Serra Dourada (GO): Recentemente, em 2025, o grupo venceu a licitação para modernizar e gerir o complexo que inclui o estádio e o ginásio.


  • Parque Nacional do Iguaçu (PR): A Construcap, em consórcio com o Grupo Cataratas (Consórcio Novo PNI), é responsável pela gestão da área que abriga as Cataratas do Iguaçu.


  • Além dos parques, a Urbia também faz a gestão de equipamentos específicos dentro dessas áreas, como o Planetário do Ibirapuera e o Arboreto Vila Amália.


Somando todos os ativos sob gestão da Urbia , a área total administrada ultrapassa os 250 mil hectares (aproximadamente 2.500 km²).

Para comparação, a área total sob gestão da Urbia é maior que o território de cidades como São Paulo (152 mil ha) ou a soma de diversas capitais brasileiras.



Agora vamos para outras coincidências


Os estudos técnicos e consultas públicas para a concessão do Parque Nacional de Jericoacoara, começaram justamente no segundo trimestre de 2022. Coincidentemente, documentos da empresa indicam que Capobianco já figurava como acionista naquele período, conforme ata do conselho de administração datada de maio de 2022.


Na mesma reunião, relata o site metropolis, foi deliberado o destino de R$ 97,9 milhões de lucro líquido da empresa, com a decisão de distribuir 30% desse valor — cerca de R$ 29,3 milhões — aos acionistas.


O histórico de relações também chama atenção. Capobianco já tinha atuado como conselheiro administrativo da Construcap até 2018.

Atualmente a empresa é comandada por seu irmão, Roberto Ribeiro Capobianco, que ocupa a presidência da construtora.


Seguindo...


Os irmãos também são sócios, segundo o portal Metrópolis, em outro empreendimento: a Goiasa Goiatuba Álcool LTDA, empresa familiar que atua no cultivo de cana-de-açúcar e soja, produção de álcool e... geração de energia elétrica, com capital social registrado de R$ 267,7 milhões.

Esse a Comissão de Ética Pública da Presidência autorizou ?


Voltando a Jericoacoara, o processo de concessão foi conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente comandado pela ministra Marina Silva. O consórcio vencedor — que inclui a Construcap — recebeu autorização para explorar economicamente o fluxo de visitantes do parque, incluindo a cobrança de ingressos.


Segundo o Metrópoles, o próprio ICMBio ficou responsável pela fiscalização da concessão e poderá conceder licenças para obras dentro da unidade de conservação, sem necessidade de licenciamento municipal.


Mas nem tudo correu sem questionamentos. A Justiça Federal, suspendeu a cobrança de ingressos para visitantes que apenas desejam acessar a Vila de Jericoacoara, localizada dentro da área cercada pelo parque, mas que não faz parte oficialmente da unidade de conservação. A decisão apontou que a cobrança configuraria “manifesta ofensa ao pacto federativo”, além de interferir na livre circulação de pessoas e na autonomia do município de Jijoca de Jericoacoara.


Os caras queriam cobrar pra entrar na cidade! Isso lembra alguma coisa para os catarinenses?

Taxa de Preservação Ambiental (TPA) - Bombinhas/SC


Procuradaa Construcap e o consórcio Urbia não se manifestaram à época.


Já o Ministério do Meio Ambiente respondeu afirmando que os leilões de concessão são conduzidos com independência técnica pelo ICMBio, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seguindo os padrões da B3 e garantindo transparência e isonomia no processo.


Ou seja, segundo a versão oficial, tudo dentro das normas.


Ainda assim, olhando de fora, é inevitável perceber que certas coincidências parecem se alinhar com uma precisão quase cirúrgica: estudos iniciados enquanto havia participação acionária, concessão vencida por empresa ligada à mesma estrutura familiar e exploração econômica de uma área ambiental altamente valorizada.


Claro, coincidências acontecem. Algumas, apenas, parecem acontecer com uma frequência surpreendentemente conveniente.


E quando se pensa que as coincidências terminam por aí, surge mais um episódio curioso no cenário ambiental brasileiro: a criação do Parque Nacional do Albardão, no extremo sul do país.

A unidade foi instituída por meio do Decreto nº 12.868 de 6 de março de 2026, assinado em meio aos debates sobre o tema. O detalhe que chama atenção é que diversos cientistas, pesquisadores e especialistas haviam se manifestado contra a criação do parque da forma como estava sendo conduzida, principalmente pelo tamanho da área e pela grande porção marítima incluída no projeto.


É de se perguntar também sobre os próximos passos e, principalmente, sobre como a sociedade participará dessas decisões.

No caso do recém-criado Parque Nacional do Albardão, algumas perguntas parecem inevitáveis:


Aquelas que talvez, não tenham sido feitas lá em Jericoaquara.


  • A elaboração do Plano de Manejo terá participação real da sociedade?

  • Ou será apenas um processo formal, com consultas limitadas e decisões já encaminhadas?

  • Outra questão importante diz respeito ao futuro da exploração turística dessas áreas.

  • Os leilões de concessão para operação do ecoturismo serão conduzidos novamente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, como ocorreu no Parque Nacional de Jericoacoara?

  • E, caso isso aconteça, quais garantias existirão de total transparência no processo, desde os estudos técnicos até a escolha das empresas concessionárias?


  • Existe algum limite definido para quantos parques nacionais uma mesma concessionária pode administrar?

  • Ou seja, há regras claras para evitar concentração de gestão de unidades de conservação nas mãos de poucas empresas?


E olhando para o cenário atual, outra pergunta inevitável aparece:


  • Corremos o risco de ver o recém-criado Parque Nacional do Albardão entrar futuramente em um processo semelhante de concessão — e acabar também sob administração da mesma empresa?


Quando falamos de patrimônio natural brasileiro, transparência, diversidade de operadores e controle social são fundamentais para garantir que a conservação ambiental não se transforme apenas em um produto, um novo mercado concentrado nas mãos de poucos ou de um único grupo.


A lei brasileira não proíbe, por si só que um familiar de um agente público participe de empresa que atua em concessões públicas, não é considerado ilegal, para que fosse teria que ter a violação das normas de conflito de interesses previstas na Lei nº 12.813/2013.


A questão que costuma ser levantada no debate público é justamente a necessidade de transparência absoluta.


Bem, aqui aparece outra coincidência digna de nota.


Grande parte do parque do Albardão, incide sobre o mar, afastando embarcações de pesca tradicionais da região. Para o setor pesqueiro, isso representa impactos econômicos relevantes, deslocamento do esforço de pesca e aumento da pressão sobre outras áreas.


Quando a pesca é retirada de uma região tão extensa, naturalmente outros interesses passam a encontrar um oceano mais livre.

Entre eles, a exploração de energia offshore, especialmente projetos de geração eólica no mar. Estruturas desse tipo envolvem torres, fundações e cabos submarinos, além de zonas de segurança onde a circulação de embarcações de pesca — especialmente as de arrasto — costuma ser restringida.


Do ponto de vista operacional, é compreensível: nenhuma empresa que invista bilhões em infraestrutura marítima gostaria de redes de pesca operando próximo às suas estruturas ou cabos submarinos.


Em muitos casos, o primeiro passo para viabilizar grandes empreendimentos é justamente retirar outras atividades da área.


Mas talvez seja apenas mais uma coincidência.


Coincidência também é o momento político em que tudo isso ocorre. Nos bastidores de Brasília, o nome do atual secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, vem sendo citado como possível substituto da ministra Marina Silva no comando da pasta.


E é nesse ponto que voltamos àquela informação citada anteriormente.

Os irmãos Capobianco são sócios na empresa Goiasa Goiatuba Álcool LTDA, empreendimento familiar que atua no cultivo agrícola, na produção de álcool e também na geração de energia elétrica, com capital social registrado na casa de centenas de milhões de reais.


Segundo informações públicas sobre a própria empresa, a geração de energia ocorre a partir de fonte renovável, utilizando o bagaço resultante da moagem da cana-de-açúcar para produzir eletricidade — um modelo bastante difundido no setor sucroenergético brasileiro.


Mas diante de todo o contexto recente envolvendo decisões ambientais estratégicas e expansão do debate sobre novas matrizes energéticas, é inevitável que algumas outras perguntas apareçam.

Quando se observa a crescente discussão sobre energia renovável, seja ela proveniente da biomassa, da energia solar ou da energia eólica, e ao mesmo tempo surgem decisões que reorganizam o uso de grandes áreas do território — inclusive marítimas — é natural que a sociedade queira compreender melhor como todos esses interesses se conectam.


Afinal, estamos falando de setores bilionários, de políticas públicas e de decisões que impactam diretamente comunidades inteiras.

E diante disso, é de se perguntar: até que ponto essas decisões estão sendo tomadas com total transparência e separação entre interesses públicos e privados?


Afinal, para quem trabalha com energia elétrica, prospecções é natural que sejam realizadas, devem ser feitas em outras plantas de geração, não acham? Novos negócios! Energia do bagaço da cana para Eólica, é um "pulinho"!


Mas, claro, antes que alguém tire conclusões precipitadas, é sempre bom lembrar: coincidências acontecem o tempo todo.

Algumas apenas parecem se alinhar e acabam levantando perguntas inevitáveis, e em uma democracia madura, fazer perguntas não é um problema. Pelo contrário — é uma obrigação da sociedade. e devem ser respondidas.. Não é mesmo?


Fonte


 
 
 

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